Ilusão das minhas palavras

sexta-feira, 30 de julho de 2010 · 4 comentários, participe!



Queria escrever com as palavras certas tudo àquilo que teria para dizer, mas não posso, as palavras me enganam, me deixam sem rumo, nunca sei se é o que está escrito é o que realmente sinto e quero. Pra ser sincero? Ainda não descobrir as palavras certas pra descrever o que sinto e o que eu penso.

Elas em seus inúmeros significados desvirtuam-se e minhas idéias desbotam-se, como assim desbotam as folhas no outono, possuem a forma, mas a essência e o brilho primordial desvanecem, esquece-se de si mesmo.

Não sou além de nada, nem mesmo bom no que gosto de fazer. Queria um dia apenas iludir-se em achar que alguém me entendeu como a única forma do meu eu próprio. Mas me engano isso jamais acontecerá! No meu mundo ainda não cabe ninguém. Queria um dia expandi-lo com um Bing-Bang, no entanto mesmo assim estaria preso em mim mesmo, um ser limitado e inderterminado.

Queria um dia que minha alma realmente fosse real, pois dela retira-se-iam às palavras derradeiras, que me tornaria tão transparente e tão esquecido quanto às coisas banais desse mundo externo sem sentido e tão sem graça.

Faço essa reflexão sem acepção para deixar claro a todos que esse tipo não será mais frequente. Após ter abandonado um curso de História e de ter abrido mão de um curso de Direito estou de volta aos vestibulares, então a maioria dos textos aqui postados terão o padrão de vestibular. Espero que todos ajudem dando opinião e criticando para o meu aprimoramento. 

O analfabeto político privatizado

segunda-feira, 26 de julho de 2010 · 4 comentários, participe!


O Analfabeto Político 
Bertolt Brecht
O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas.
O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais.
Privatizado
Bertolt Brecht

Privatizaram sua vida, seu trabalho, sua hora de amar e seu direito de pensar.
É da empresa privada o seu passo em frente,
seu pão e seu salário. E agora não contente querem
privatizar o conhecimento, a sabedoria,
o pensamento, que só à humanidade pertence.

Os números da sociedade

sábado, 24 de julho de 2010 · 0 comentários, participe!


Hoje os números desconhecem a matemática. Somam-se a massa e subtrai-se do crescimento, divide-se em inúmeros para ganhar quase nada. Multiplicar-se então? Apenas esperanças fúteis. Não queremos mais “educação”, não queremos mais “saúde”, não queremos mais promessas! Tudo isso não passa de palavras soltas ao ar, não passa de mais algumas de tantas outras.

Queremos ver raiar o dia onde a raiz quadrada não seja uma incógnita, e dela não se extraia apenas palavras; queremos o projeto nacional onde a soma dos quadrados dos catetos seja o quadrado da hipotenusa. Só assim teremos o todo firme e sólido.

Hoje os pobres desconhecem a matemática. Somam-se aos números e subtrai-se de tudo aquilo que é da terra e de todos, por tudo isso já possuir dono. Divide-se a miséria e vivem do nada ou de esmolas. Multiplicam-se as palavras, mas a saúde e educação que é bom? Apenas projetam-se em teorias e cogitações.

Numa sociedade onde a diferença dos produtos divididos é muito grande, ainda não se pensa em mudanças radicais. Numa sociedade onde o grau da diferença é absurdo, não é justo jogar dos dois lados, pois isso é apenas fazer o jogo de um. Nessa sociedade só haverá esperança quando a maioria perceber que não são apenas números e porcentagens e sim senhores do seu próprio destino.

Nesse dia entrarão em um estado de anarquia que mudará para sempre o resultado da nação. O futuro será uma probabilidade quase exata. E todos serão conscientes do valor quase absoluto que deve-se alcançar. E assim continuarão a transformar-se, de raiz quadrada em raiz quadrada; de potência em potência de vontade.

Uma sociedade de Tubarões

quinta-feira, 22 de julho de 2010 · 2 comentários, participe!

Se os Tubarões Fossem Homens
por Bertold Brecht

Se os tubarões fossem homens, eles seriam mais gentís com os peixes pequenos. Se os tubarões fossem homens, eles fariam construir resistentes caixas do mar, para os peixes pequenos com todos os tipos de alimentos dentro, tanto vegetais, quanto animais. Eles cuidariam para que as caixas tivessem água sempre renovada e adotariam todas as providências sanitárias cabíveis se por exemplo um peixinho ferisse a barbatana, imediatamente ele faria uma atadura a fim de que não moressem antes do tempo. Para que os peixinhos não ficassem tristonhos, eles dariam cá e lá uma festa aquática, pois os peixes alegres tem gosto melhor que os tristonhos.

Naturalmente também haveria escolas nas grandes caixas, nessas aulas os peixinhos aprenderiam como nadar para a guela dos tubarões. Eles aprenderiam, por exemplo a usar a geografia, a fim de encontrar os grandes tubarões, deitados preguiçosamente por aí. Aula principal seria naturalmente a formação moral dos peixinhos. Eles seriam ensinados de que o ato mais grandioso e mais belo é o sacrifício alegre de um peixinho, e que todos eles deveriam acreditar nos tubarões, sobretudo quando esses dizem que velam pelo belo futuro dos peixinhos. Se encucaria nos peixinhos que esse futuro só estaria garantido se aprendessem a obediência. Antes de tudo os peixinhos deveriam guardar-se antes de qualquer inclinação baixa, materialista, egoísta e marxista. E denunciaria imediatamente os tubarões se qualquer deles manifestasse essas inclinações.

Se os tubarões fossem homens, eles naturalmente fariam guerra entre si a fim de conquistar caixas de peixes e peixinhos estrangeiros.As guerras seriam conduzidas pelos seus próprios peixinhos. Eles ensinariam os peixinhos que, entre os peixinhos e outros tubarões existem gigantescas diferenças. Eles anunciariam que os peixinhos são reconhecidamente mudos e calam nas mais diferentes línguas, sendo assim impossível que entendam um ao outro. Cada peixinho que na guerra matasse alguns peixinhos inimigos da outra língua silenciosos, seria condecorado com uma pequena ordem das algas e receberia o título de herói.

Se os tubarões fossem homens, haveria entre eles naturalmente também uma arte, haveria belos quadros, nos quais os dentes dos tubarões seriam pintados em vistosas cores e suas guelas seriam representadas como inocentes parques de recreio, nas quais se poderia brincar magnificamente. Os teatros do fundo do mar mostrariam como os valorosos peixinhos nadam entusiasmados para as guelas dos tubarões.A música seria tão bela, tão bela, que os peixinhos sob seus acordes e a orquestra na frente, entrariam em massa para as guelas dos tubarões sonhadores e possuídos pelos mais agradáveis pensamentos. Também haveria uma religião ali.

Se os tubarões fossem homens, eles ensinariam essa religião. E só na barriga dos tubarões é que começaria verdadeiramente a vida. Ademais, se os tubarões fossem homens, também acabaria a igualdade que hoje existe entre os peixinhos, alguns deles obteriam cargos e seriam postos acima dos outros. Os que fossem um pouquinho maiores poderiam inclusive comer os menores, isso só seria agradável aos tubarões, pois eles mesmos obteriam assim mais constantemente maiores bocados para devorar. E os peixinhos maiores que deteriam os cargos valeriam pela ordem entre os peixinhos para que estes chegassem a ser, professores, oficiais, engenheiros da construção de caixas e assim por diante. Curto e grosso, só então haveria civilização no mar, se os tubarões fossem homens.
***

Viagens no Tempo: Paradoxos, Realidade paralelas e as Possibilidades

quarta-feira, 7 de julho de 2010 · 1 comentários, participe!

Viagens no Tempo, infinitas realidades e universos paralelos que coexiste e ao mesmo tempo não existe? Até onde podemos chegar? Será que nossa realidade e nossa História já foram e continuam sendo alterada infinitas vezes?  
A seguir um vídeo da Série Cosmo de Carl Sagan e um excelente texto - um pouco longo, porém detalhado e de fácil entendimento - sobre esse assunto que ainda não passa de ficção científica.


Conheça todas as possíbilidades e paradoxo:






VIAGENS NO TEMPO E PARADOXOS TEMPORAIS


Segundo o escritor Eduardo Torres, as Viagens no Tempo são o que há de mais puro em termos de Ficção Científica, visto que elas o são por excelência. Há algo de bastante justificado nesta frase, visto que boa parte das obras que conhecemos como FC poderiam ser facilmente transpostas para outros gêneros sem perda alguma de conteúdo essencial.



Não se pode negar, porém, que a idéia de viajar no tempo é possível também no terreno da Fantasia. A lenda do Pescador Japonês, é um exemplo interessante, Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban também. Mas quando H.G.Wells criou a Máquina do Tempo, em 1890, tivemos a inauguração do gênero como o conhecemos hoje.



As Viagens no Tempo gozam de uma posição de destaque na FC, não só remontam aos sub gêneros mais antigos como talvez estejam entre os mais populares. Ao mesmo tempo, podem parecer a primeira vista as mais absurdas, pois é difícil conceber como seria possível se deslocar no tempo, enquanto não é tão difícil conceber vôos espaciais, robôs inteligentes ou extraterrenos. Entretanto, na verdade estão entre as poucas que possuem base cientifica plausível, mais especificamente sobre a Teoria da Relatividade.



Isso ocorre porque uma das consequência mais notáveis da teoria Einsteiniana é a fusão das idéia de tempo e espaço numa mesma entidade chamada Continuum, o que, entre outras coisas, torna o tempo, ao contrário do que se pensava, Relativo, e sujeito a vários tipos de distorção.



As viagens para o futuro são mais do que plausíveis, eles existem e ocorrem a todo instante, porém em escalas imperceptíveis. Como, segundo a Teoria da Relatividade, o movimento afeta o ritmo de passagem do tempo, quanto mais rápido alguém se mover, mas rápido ela avança para o futuro em relação a referenciais mais lentos. Ou seja, alguém que viaje constantemente de avião chega ao futuro mais rápido que alguém que nunca o tenha feito, pois o tempo para ela terá passado mais lentamente e ela terá envelhecido menos.



No entanto a diferença será desprezível. Mesmo os astronautas que foram à Lua, que são os seres humanos que experimentaram as maiores velocidades de deslocamento na história, cerca de 40mil km/h, experimentaram avanços para o futuro insignificantes.



Para que uma viagem ao futuro apresente resultados perceptíveis é necessário velocidades de deslocamento muito maiores, que poderão ser possíveis futuramente. Uma nave capaz de se mover ao menos a um décimo da velocidade da luz, já apresentaria resultados bastante impressionantes.



Mas se as viagens para o futuro são teoricamente possíveis e até futuramente prováveis, as viagens para o passado ainda são altamente improváveis mesmo em ousadas especulações teóricas.



Acelerar até a velocidade da luz por exemplo, o que já é bastante improvável levando em conta nossos conhecimentos científicos atuais, apenas congelaria a passagem do tempo, permitindo que o viajante avançasse o quanto quissesse para o futuro, mas ao que parece nada sugere que seja possível ultrapassar tal limite e que mesmo o fazendo o tempo retrocederia.



Uma analogia interessante: Suponha que você esteja acostumado a percorrer o trajeto de sua casa até a casa de uma amiga em 20 minutos. Então adquire um meio de deslocamento mais rápido e passa a fazer o percurso em apenas 10 minutos. Com outro meio de transporte esse tempo passa a ser de 5, e assim por diante.

Chegaria a um ponto em que teoricamente você gastaria um tempo que tendesse a zero, ou seja, se transferiria instantaneamente de um local a outro. Mas, e se fosse possível aumentar ainda mais a velocidade, ocorreria de você chegar à casa de sua amiga ANTES de ter saído da sua?



Pelo nosso paradigma científico atual tudo indica que não. Você nunca conseguiria gastar um tempo Zero de descolamento, ainda que chegasse a um tempo desprezível muitíssimo próximo de zero. No entanto, considero ingênuo acreditar que nossas concepções científicas atuais bateram definitivamente o martelo sobre a questão, e vamos deixar em aberto a possibilidade de viagem para o passado.



Temos que recorrer então à Filosofia para compreender certas questões. Muitas coisas podem ser possíves dependendo do contexto. Por exemplo, não temos dificuldade em imaginar que num outro Universo submetido a outras leis físicas, fosse possível ultrapassar a velocidade da luz e ou viajar para o passado. Nós podemos imaginar isso por que se trata de uma Possibilidade LÓGICA. Ou seja, ela pode ser racionalmente concebível.



Porém, se uma coisa for LOGICAMENTE Impossível, ela com certeza o será FISICAMENTE Impossivel. Nós podemos conceber logicamente coisas impossíveis fisicamente, mas se uma coisa for logicamente inconcebível, ele com certeza será impossível.



O problema com as viagens no tempo para o passado é que elas geralmente apresentam resultados logicamente impossíveis, PARADOXOS. E talvez o mais problemático seja o mais comum em obras de Ficção Centífica sobre Viagens no Tempo:



O PARADOXO DE CAUSA E EFEITO, que diz que:



Se alguém viaja para o passado no objetivo de alterar um evento para mudar o presente, assim que o fizesse o motivo pelo qual se viajou deixaria de existir, e consequentemente a viagem também. Sendo assim, o mínimo que deveria acontecer seria a perda de memória por parte do viajante, ou seu lançamento numa realidade paralela.



Há meios de se superar essa dificuldade, mas raramente isso é feito com desenvoltura principalmente em HQs ou Filmes.



Em Os 12 Macacos por exemplo, houve um excelente tratamento do tema, mas admitindo a impossibilidade de se alterar o passado de modo que a própria tentativa de alteração fez parte do processo.



Em minha opinião no cinema os exemplos mais desastrosos são os de Jornada nas Estrelas, principalmente em STAR TREK VIII, onde no passado um evento principal é alterado mudando o presente, nos caso os Borgs eliminando o evento que resultaria em boa parte do avanço tecnológico humano, e então através de uma viagem os protagonistas repõem o evento principal no lugar.



Entretanto fazem inúmeras outras alterações nada insignificantes, mas que em nada afetam os acontecimentos futuros, e fica sempre a pergunta: Por que os Borgs não tentam de novo? E de novo e de novo? E se viajassem para impedir que os heróis impeçam a mudança no passado? Por que não uma outra viagem para impedir a raiz de todos os problemas? Quando isso pararia?



E o pior! Se os Borgs conseguissem impedir o tal evento, a Terra nunca teria desenvolvido tecnologias de viagens espacias, e sendo assim nunca teria se integrado a federação e muito menos conhecido os Borgs, que também não teriam o menor interesse numa tecnologia pouco avançada, e portanto não teriam vindo à Terra.



Esse resultados são ilógicos, e podemos esclarecer isso formalizando e simplificando a questão:



1) Os Borgs vieram à Terra para assimilar sua Tecnologia Avançada.
2) Para eliminar a forte resistência dos terrestres, que se baseia em tecnologia avançada, os Borgs viajaram no tempo e prejudicaram o desenvolvimento da Tecnologia Terrestre.
3) Sem tecnologia avançada, os terrestres não puderam resistir aos Borgs.



E aqui fica clara a contradição, o item 3 entra em conflito com o item 1, se os terrestres perderam sua tecnologia avançada devido a viagem no tempo dos borgs, para que então os Borgs teriam vindo à Terra?



Em síntese: Se você viajasse para o passado para impedir uma tragédia e o conseguisse, a tragédia, que é motivo de sua viagem, deixaria de existir, sendo assim sua viagem também.



O motivo da viagem é a sua CAUSA, se o mesmo desaparecer, a viagem, que é seu EFEITO, também desaparece.



É até concebível que isso ocorra desde que o viajante perca completamente a memória de sua viagem, pois ela também teria deixado de existir. E dessa forma seria possível que há um minuto atrás a realidade em que você vive fosse outra, mas você viajou no tempo e a alterou, de modo que agora vive numa outra realidade tendo se esquecido totalmente da realidade anterior em que viveu.



Pior! Pode ser então que a realidade que vivemos tenha sido alterada infinitas vezes, mas ninguém, nem mesmo os viajantes do tempo responsáveis, saberiam disso.

Outra forma de evitar esse paradoxo é afirmar que os viajantes na verdade passaram para uma dimensão paralela, e dessa forma eles nada mais fizeram do que escolher um Universo alternativo, e tenham se tornado seres multi dimensionais. Mas isso também implica em que para as pessoas que não sejam esses viajantes, as mudanças simplesmente não ocorrem, ou seja, se você viaja no tempo e impede a tragédia, e volta para o seu tempo sem perder a memória, você teria na verdade entrado em um universo alternativo, para o qual aquela tragédia de fato jamais ocorreu, mas o universo original permanece inalterado.



Já uma situação como a ocorrida em filmes como De Volta para o Futuro, é absurda, pois o viajante, Martin McFly, faz alterações drásticas em sua realidade e volta para ela, e ainda que ela não evolva exatamente a causa da viagem no tempo, elas deveriam estar automaticamente registradas em sua memória, ou aquela realidade para a qual ele voltou já seria um universo alternativo.



Explicando mais detalhadamente, cada vez que ele alterava um detalhe do passado de seus pais isso viria a resultar em mudanças no futuro. Porém ele estava de certa forma protegido dessas mudanças, talvez por não estar em seu tempo original. Quando ele volta para seu Presente encontra várias coisas mudadas e não as reconhece, isso significa que sua memória pertece à realidade anterior, ele vêm de uma realidade anterior, alternativa, caso contrário, ele deveria se lembrar automaticamente de tudo, não sofrendo nenhum estranhamento com as mudanças.



Problemas como esse me levaram a formular um modo de conceber as Viagens no Tempo que alteram o Passado como formas de Viajar entre Realidades Paralelas. E juro, tive estas idéias muito antes de tomar contato com idéias similares que viriam a ser publicadas recentemente.

Para explicar minha teoria, devemos ter em mente, e muito claramente, a expressão:



O UNIVERSO É INFINITO!



Depois pensemos nas seguintes possibilidades de idealização do tempo:

Nesta idealização temos uma Linha do Tempo, que imaginamos como correndo da Esquerda para a Direita. em vermelho temos o PASSADO, e em azul o FUTURO. O PRESENTE, representado em verde, seria um intervalo infinitamente pequeno entre o Passado e o Futuro, um evento instantâneo que transforma este último no primeiro.

Foi o filósofo Santo Agostinho que, no Quarto Século da Era Cristã, teve a ousadia de ser o primeiro a questionar a natureza do tempo e perceber uma estranha contradição. Parece que o Tempo, de uma certa forma, não existe, pois o Passado não existe mais, o Futuro ainda não existe, e o Presente é infinitamente pequeno, sendo assim, como poderia existir?


Mas não foi por acaso que citei esse grande filósofo, pois ao final de sua vida, sem dúvida envolvido também nestas questões, ele se tornou Determinista, isto é, alguém que acredita que o Futuro está definitiva e inalteravelmente escrito. Opinião que é compartilhada por muitas pessoas ainda hoje.




Esta representação do tempo, acima, expressa então o Pré-Determinismo, mais conhecido por Destino, que é idéia de que todos os eventos do futuro já estão definidos e não podem ser evitados. Uma forma de expressar isso é exatamente pensando no tempo como uma linha por onde corre o presente. Agostinho, que era um filósofo cristão, se apercebeu que isso trazia um grande problema para a idéia de Livre-Arbítrio, pois como podemos ter escolha se todo o futuro já está definido? Mais informações em minha monografia DEUS ME LIVRE, que trata especificamente sobre estas questões.

Um outra forma de imaginarmos o tempo seria:






Aqui, temos um Futuro indefinido, onde várias possibilidades podem ser realizadas e, assim sendo, que não pode ser previsto com exatidão. O Presente seria então um fenômeno que converte possibilidades em fatos transformando-os em passado, de onde não mais podem ser alterados. Ao menos é assim que muitas outras pessoas costumam pensar.


Entretanto, há uma outra forma de pensar o tempo, uma forma um tanto mais ousada, onde todas as possibilidades jamais seria exatamente fechadas, mas sim ficando "sempre" em aberto. Assim seria:






Aqui teríamos então, não somente uma linha de tempo, mas várias, mais provavelmente infinitas. E todas elas paralelas. É esse o conceito de Realidades Paralelas, ou Alternativas, apresentadas em muitas obras de FC. Esta concepção sugere que tais linhas sejam independentes entre si, e que somente algum evento muito incomum poderia misturá-las.

Isso então, acaba não sendo muito diferente da idéia anterior de Determinismo, com a única diferença que tal determinismo não seria único, mas para cada ser que vivesse em um, ele seria inviolável.

No entanto, podemos também visualizar estas linhas da seguinte forma:





Vemos aqui que o Tempo seria um processo que converteria possibilidades em realidades, deixando-as no Passado. É razoável supor que o Passado, uma vez consumado, não possa mais ser alterado, mas o Futuro é livremente aberto às possibilidades. Assim, existiriam diversas realidades paralelas, todas indeterminadas, sendo convertidas pelo efeito "Presente", de, "Possibilidade de Futuro" para "Passado".

E aqui, já é importante frisar, essas possibilidades tem que ser INFINITAS! Ou seja, existiriam Infinitas realidades paralelas, Infinitos Passados consumados com todas as infinitas possibilidades.



É exatamente neste contexto que poderíamos pensar em viagens no tempo para o passado, que inclusive alterassem eventos, mas que não causassem paradoxos. Pois qualquer alteração já estaria prevista em uma das infinitas linhas de possibilidades passadas, e assim, cada vez que um viajante do tempo o fizesse, estaria na verdade saltando para um universo paralelo. Ou poderíamos pensar também que tal universo só passasse a existir assim que a alteração fosse efetuada.



O mais importante é que os eventos do presente original do viajante não seriam afetados. Se pensarmos no exemplo de De Volta para o Futuro poderíamos exemplificar com a idéia de que Martin Macfly, ou voltar 30 anos no tempo, retornou por sua própria linha temporal, porém ao emergir no passado, imediatamente passou para uma linha paralela, permanecendo nela mesmo quando voltou ao futuro. Essa é a única forma de explicar que ele não tivesse nenhuma memória dos eventos que ele mesmo gerou.



É claro que essa teoria não salva o paradoxo no filme, pois se é assim, deveria haver um duplo, um outro Martin neste universo paralelo, que evidentemente vive normalmente em sua realidade e que não teria viajado no tempo.



Essa teoria abre possibilidade para qualquer tipo de viagem temporal, tornando qualquer possibilidade logicamente possível. É claro que ela acrescenta alguns aspectos perturbadores. A maioria das pessoas tem dificuldade em lidar com a idéia de uma infinitude de possibilidades, mas essa concepção, ou pelo menos a possibilidade de cada viagem ao passado gerar um universo paralelo totalmente novo, me parece a única forma de tornar as viagens para o passado racionalmente viáveis.


Outra consequência seriam os infinitos "eus" paralelos coexistindo nessa multiplicidade de universos, algo um tanto perturbador. Uma possibilidade de atenuar a tensão desta idéia seria que na realidade tais universos não existissem previamente, mas que fossem gerados pelas viagens no tempo, passando então a serem independentes. Porém isso leva à questão de qual seria o resultado de diversas viagens constantemente gerando realidades paralelas. Poderia isso induzir a um tipo de perturbação em todos os universos? Em especial no original?



No entanto, esse apelo ao infinito me parece impossível de ser contornado, especialmente se quisermos imperir o Determinismo, caso contrário, poderíamos pensar num grande grupo de linhas temporais paralelas, em alguns viajantes oscilando por essas linhas, mas ainda assim, pensar num nível superior de tempo, onde todas essas variações pelas linhas paralelas já estariam previstas. Desenvolvi essa teoria mais detalhadamente ao final de meu Livro Virtual Os Crononautas.



Em verdade, pretendo ir ainda mais longe, e afirmar que qualquer concepção de viagem no tempo para o passado, independente de pretender trabalhar com paradoxos ou não, necessariamente já está pressupondo algo muitíssimo parecido com infinitos universos!


Para isso, pensemos o seguinte. O Universo é um gigantesco aglomerado de zilhões de partículas, que se movem e se alteram ao longo do tempo. Vamos imaginar que exista uma unidade de tempo fundamental, algo menor que o microssegundo, que o nanossegundo, mesmo um femtossegundo.


Um Instante Infinitesimal Indivisível, um III, ou, para simplificar, um I3.



Assim, o tempo seria uma sequência virtualmente infinita de I3, sucedendo-se um após o outro. Cada um desses instantes tem uma posição definida para cada uma das suas virtualmente infinitas partículas, e somente num I3 sequinte poderia haver qualquer variação. Isso significa, enfim, que cada I3 só é idêntico a si próprio.


Para que eu viajasse do meu presente, o I3 atual, para um I3 qualquer no passado, eu estaria pressupondo que, de algum modo, esse passado está preservado, isto é, haverá o I3 em questão com todas as partículas no seu lugar exato e específico. E então fica a questão: Como funcionaria esta "memória", este "registro" do passado?



Se houvesse um "outro" universo perpetuamente congelado em cada I3, então teríamos uma quantidade total de partículas igual a todas as párticulas do universo multiplicadas por todos os I3, um número impossível até de imaginar, mas sendo assim, porque cada universo destes deveria ficar parado, e não evoluir independentemente?

Se cada I3 for definitivamente fechado e congelado, seria impossível viajar no tempo, porque não se poderia entrar num I3 passado. Isso só seria possível se cada um desses I3 fosse dinâmico, e permitisse

Deveria então existir exatamente essa quantidade de universos paralelos: I3 X Total de "párticulas" mínimas.

Assim, se existem uma versão congelada do universo para cada I3, então, de certa forma, já existem inúmeros universos paralelos, embora só fossem acessíveis exatamente pelas viagens no tempo.


Retirado em 6 de julho de 2010

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Welber Mascarenhas
Conceição do Coité, Bahia, Brazil
Um eterno estudante que gosta de escrever tudo (ou quase tudo :D ) que vem no pensamento, comecei esse blog com o intuito de aperfeiçoar a escrita e ordenar as idéias ( ou desordená-la às vezes para não tornar a rotina tão monótona :P) . Defensor do bem-estar social e do direito de vocês duvidarem de mim quando assim acharem necessário. Então vamos lá pessoal, o Blog está livre para todos, comentem e se gostarem é só segui-lo. Desistindo pra continuar a tentar =/
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