Primavera dos Povos as Revoluções de 1848

Essa postagem de hoje ainda não será nada estritamente pessoal como venho planejando. Apenas vou fazer um complemento de uma postagem que fiz e que sempre se mantém entre as mais acessadas dos últimos 30 dias (Recordação do sonho na Primavera dos Povos), os seus visitantes vêm através do pesquisador Google, e como quase todos que vem desse site busca uma informação mais detalhada sobre esse fenômeno histórico, resolvi postar esse texto do renomado Historiador Eric Hobsbawm... Espero que gostem e ajude a compreender melhor esse momento!! Realmente o texto é muito bom.

As revoluções de 1848

"No início de 1848, o eminente pensador político francês Alexis de Tocqueville tomou a tribuna da Câmara dos Deputados para expressar sentimentos que muitos europeus partilhavam: 'Nós dormimos sobre um vulcão... Os senhores não perceberam que a terra treme mais uma vez? Sopra o vento das revoluções, a tempestade está no horizonte'. Mais ou menos no mesmo momento, dois exilados alemães, Karl Marx com trinta anos e Friedrich Engels com vinte e oito, divulgavam os princípios da revolução proletária para provocar aquilo que Tocqueville estava alertando seus colegas, no programa que ambos tinham traçado algumas semanas antes para a Liga Comunista Alemã e que tinha sido publicada anonimamente em Londres, por volta de 24 de fevereiro de 1848, sob o título (alemão) de Manifesto do Partido Comunista, para ser publicado em inglês, francês, alemão, italiano, flamengo e dinamarquês. Em poucas semanas, ou, no caso do Manifesto, em poucas horas, as esperanças e temores dos profetas pareceram estar na iminência da realização.

A monarquia tinha sido derrubada por uma insurreição, a república proclamada e a revolução européia tinha iniciado.

Tem havido um bom número de grandes revoluções na história do mundo moderno, e certamente a maioria bem-sucedida. Mas nunca houve uma que tivesse se espalhado tão rápida e amplamente, se alastrado como fogo na palha por sobre fronteiras, países e mesmo oceanos. [...] Em poucas semanas nenhum governo ficou de pé numa área da Europa que hoje é ocupada completa ou parcialmente por vários estados, sem contar as repercussões em um bom número de outros. Além disso, 1848 foi a primeira revolução potencialmente global, cuja influência direta pode ser detectada na insurreição de 1848 em Pernambuco (Brasil) e poucos anos depois na remota Colômbia. Num certo sentido, foi o paradigma de um tipo de 'revolução mundial' com o qual, dali em diante, rebeldes poderiam sonhar e que, em raros momentos como no pós-guerra das duas conflagrações mundiais, eles pensaram poder reconhecer. De fato, explosões simultâneas continentais ou mundiais são extremamante raras. 1848 na Europa foi a única a afetar tanto as partes 'desenvolvidas' quanto as atrasadas do continente. Foi ao mesmo tempo a mais ampla e a menos sucedida desse tipo de revolução. No breve período de seis meses de sua explosão, sua derrota universal era seguramente previsível; dezoito meses depois, todos os regimes que derrubara foram restaurados, com a exceção da República Francesa que, por seu lado, estava mantendo todas as distâncias possíveis em relação à revolução à qual devia sua própria existência. [...]"

(HOBSBAWM, Eric. A era do capital: 1848-1875. Rio de Janeiro, Paz e Terra. 4» ed. 1988.)

2 comentários, participe!:

ALLmirante disse...

Este historiador, embora tenha fama, é por demais tendencioso. A primeira rebolução que teve consequencias mundiais foi mesmo a Revolução Francesa. Como liberdade e igualdade são antíteses, Napoleão montou o cavalo e passou com as patas em cima de todo mundo. 1848 foi uma tentativa de repetição, e as consequencias foram as mesmas> tome Napoleão. E por ter assustado meio mundo, em especial a Alemanha que já tinha sido pisoteada, os bosches vieram primeiro com Bismarck, e por fim com Hitler, que humilhou a Vaca Leiteira, salva graças, mais uma vez, aos britânicos.

Luis Hipolito disse...

Parabéns pelo blog. Tem muita informação importante aqui. Um abraço e sucesso!!!

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