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| Imagem retirada na internet |
A Amazônia, a mais rica e a maior floresta tropical do mundo, estende-se por nove países da América do Sul, mas o Brasil fica com a maior parte da mata — 60% do total. Na Amazônia brasileira, cortada de ponta a ponta pelo rio Amazonas e empapada por mais de mil de seus afluentes, caberiam 14 Alemanhas ou 20 Inglaterras. Numa área insignificante da mata tropical brasileira, uma extensão que se cruza a pé em algumas horas, existe mais diversidade de plantas do que em toda a Europa.
O viço da floresta e a quantidade absurda de líquido que por ela escorre um quinto da água doce do planeta estimularam a crença falsa de que a Amazônia é um celeiro inesgotável. A verdade é outra. O solo da Amazônia, argiloso ou arenoso em sua maior parte, é fraquíssimo. As árvores se nutrem do próprio material orgânico que cai no chão. Galhos, folhas, flores, frutos, vermes, insetos, fungos, tudo isso se desprende das copas e se amontoa no solo. O material apodrece, desfaz-se na terra e é sugado pela teia superficial das raízes. Na maior floresta do mundo, o solo por si não oferece nutrientes às plantas, atuando apenas como um substrato em que as árvores se apóiam fisicamente. Retirada a capa verde, a terra não tem força para reerguer sozinha uma nova mata.
Há um fenômeno aparentemente contraditório na Amazônia. Lá existe um número insuperável de espécies, mas relativamente poucos exemplares de cada uma delas. Isso vale para árvores ou peixes, indiferentemente. Num espaço equivalente a um quarteirão é difícil encontrar três árvores da mesma espécie. Em razão da grande dispersão das árvores, os seringueiros precisam às vezes andar quilômetros na mata. Cada seringueira fica a 100, 200 metros uma da outra. Nos rios da Amazônia vivem provavelmente umas 3 mil espécies de peixes, quinze vezes mais do que em todos os rios da Europa juntos, mas o número de pirarucus e tambaquis representa uma fração da quantidade a que chegam certos tipos de peixes marinhos.
A floresta Amazônica merece respeito. Dentro dela existem entre 5 milhões e 30 milhões de plantas diferentes. Não se sabe o número preciso de espécies porque poucas delas foram estudadas. Entre as já catalogadas pela ciência somam-se cerca de 30 mil espécies, o que representa aproximadamente 10% do total de plantas conhecidas no planeta. A Amazônia tem a maior variedade de primatas, roedores, jacarés, sapos, insetos, lagartos e peixes de água doce do mundo.
A Amazônia é um caldeirão de biodiversidade, mas não é uma vitrine como facilmente percebem os turistas. O pequeno porte da maioria dos animais e o fato de grande parte deles ter hábitos Soturnos, aliados a uma floresta muito densa, tornam difícil a sua visualização. Se uma pessoa caminhar 10 km numa mata virgem de terra firme, longe das perturbações humanas, verá em média dois a três bandos de macacos, uma ou outra cutia e, com Sorte. Meado, talvez um bando de porcos-do-mato. O fato de ver poucos bichos, porém, não significa que eles não estejam lá. No escuro da mata, há uma orquestra fantástica tocando os acordes da vida.
Adaptado de: Veja, ano 30, n 51. Especial – Amazônia, um tesouro ameaçado.


2 comentários, participe!:
Buenas Welber,
excelente postagem.
abraço
Paulo
Interessante. Vi seu blog por acaso e gostei, pelo menos até aqui. Acho difícil um jovem começar a escrever um "porque gosta de escrever".
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