Antigamente as poucas informações recebidas vinham através das ondas de rádio ou através de jornais que periodicamente circulavam, hoje, o mundo se abre numa janela do computador. Muita coisa mudou, houve claramente um salto quantitativo, no entanto, não podemos dizer o mesmo do qualitativo. Ultimamente, a superficialidade das imagens da tevê ou as torrenciais e fragmentadas informações da internet, pouco influem no aprimoramento da sociedade.
Com a tevê, foi-se o hábito de ler, as pessoas não mais sentiram a necessidade de ver as figuras dos jornais, muito menos lê-los, a televisão deu vida e voz às imagens. Não demorou muito, surgiu a internet, e a falsa crença que a sociedade daria um salto intelectual sem precedentes, porém o que poucos poderiam imaginar é que tal perspectiva de realidade não se generalizaria. Com esse novo meio de informação algo inusitado passou a ser observado: O mundo se abriu para humano, porém o ser humano fechou-se em seu próprio mundo, a internet tornou-se um recanto ao narcisismo, as pessoas entram pra se ver, para alimentar seu ego nas redes sociais e raramente para buscar algo de útil.
Com a evolução da troca de informação o mundo tornou-se pequeno, a mente das pessoas parece que seguiu o mesmo caminho, a imagem tornou-se a principal força motriz da sociedade, aprendemos a gostar do fácil e do fragmentado, a futilidade evoluiu além do imaginado, passamos a adorar programas como BBB, que em síntese, é formado por um bando de desocupados reunidos em uma casa de luxo e que usam de suas imagens “padrão globo de qualidade”, para manipular e distrair mentes vazias. Do outro temos a transformação da internet, de porta para acesso a inúmeras informações para uma vitrine pessoal desprovido de qualquer sentido.
Presenciamos a globalização cultural, nela, o vazio padronizado é objetivo a ser alcançado pelos grupos midiáticos, infelizmente, nossa sociedade parece aos poucos sucumbir a esse caminho incerto e discriminador. Numa sociedade que supervaloriza o conhecimento, afinal, países que hoje são superpotências são aqueles que dominam a tecnologia e a ciência, caminhamos inversamente, há uma busca estarrecedora de se criar uma população acostumada a viver vazia, já que isso pode ser um bom negócio, pois permite o monopólio de poder aos donos do conhecimento, padroniza os desejos de consumo e comporta manter intelectualmente improdutiva a massa populacional, o que faz com que os demais países não criem suas próprias tecnologias e assim se mantenham dependentes dos atuais “criadores”.

